quinta-feira, 17 de abril de 2014

Diferenciação da surdocegueira e DMU e as relações nas estratégias de ensino

No que se diferenciam a surdocegueira e a DMU
A surdocegueira é uma deficiência única e por isso não é considerada deficiência múltipla. Diante das leituras foi possível perceber que a surdocegueira não é a junção de uma pessoa surda e cega, pois utiliza de métodos que os surdos e os cegos se aprimoram na sua educação, mas as necessidades especiais básicas são outras, quando se trata da comunicação e na parte de orientação e mobilidade. Está dividida em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas, eram surdas e se tornaram cegas, as que se tornaram surdocegas ou as que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente e não tiveram a oportunidade de desenvolver a linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma visão de mundo.
São consideradas pessoas com deficiência múltipla, segundo o MEC/SEESP, 2002 aquelas que “têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”.
Quais são as necessidades básicas deles?
De acordo com Nunes (2002), as necessidades das pessoas com DMU e surdocegueira são físicas e médicas, como limitações sensoriais (visual e auditiva), convulsões, controle respiratório e pulmonar, problemas com deglutição e mastigação, saúde mais frágil com pouca resistência física. Necessidades de afeto, atenção, interação com o meio e com o outro, desenvolvimento das relações sociais e afetivas e precisa estabelecer uma relação de confiança. Também há as necessidades educativas devido a limitações ao acesso ao ambiente, dificuldade em se concentrar e interpretar as informações. A comunicação é o meio de interagirmos com o ambiente social. O ambiente escolar tem por obrigação ofertar meios para que todos possam se comunicar e poder ter uma vida autônoma no contexto escolar e social. O papel da comunicação é de transmissão de significados entre pessoas para a sua integração na organização social.
Quais as estratégias utilizadas para a aquisição de comunicação?
Para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação para as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla, a comunicação é dividida em receptiva e expressiva. A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma, seja ela a escrita, Libras, etc, no entanto a comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação consiga interpretar e compreender a mensagem transmitida independente do meio. A comunicação expressiva requer que um comunicador passe a informação para outra pessoa que pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.
A comunicação é estabelecida como uma forma de interação em que o significado é transmitido por meio do uso de sinais, que são percebidos e interpretados por um dos pares.
A comunicação inicial da pessoa com surdocegueira é pelo movimento corporal e vocalizações, precisam aprender por rotinas organizadas como, a caixa de antecipação. As pessoas com surdocegueira ou DMU ao sentir-se segura, desenvolverá condutas comunicacionais intencionais. Começamos a considerar intencional quando ela passa a usar gestos, vocalizações ou sinais. Tal funcionalidade tem como fim o de puxar, protestar, rejeitar ou negar, oferecer ou dar, responder a pedidos, solicitar atenção, ação e objetos, imitar sons ou movimentos corporais e utilizar jogos sociais ou jogos vocais.
Para que isso ocorra é necessário: o uso de caixa de antecipação ou pequenas divisões que permitem a interação; usar rotinas diárias e sequências; criar diversas relações sociais, vínculos e mensagens; criar uma relação de confiança e segurança, que sirva de base para desenvolver a comunicação por meio de vivencias cotidiana dentro de um ambiente ativo; criar situações nas quais sejam criadas oportunidades de comunicação e interação.
As atividades devem ocorrer de maneira multisensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos, é necessário um ambiente reativo, o qual responda a iniciativa das pessoas com DMU. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
O trabalho em equipe é essencial para um bom desenvolvimento das pessoas com DMU, a colaboração da família bem como os profissionais de outros serviços. Todos devem trabalhar visando à independência da pessoa ensinando ter autonomia para sua vida.

Referências:
IKONOMIDIS, Vula Maria. Deficiência Múltipla Sensorial, UFC, 2014.
MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos importantes para saber sobre a surdocegueira e deficiência múltipla, São Paulo,2011.








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